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As tarifas de Trump sobre o Brasil: um tiro pela culatra no comércio e na política internacional?

  • Foto do escritor: Leandro Barcelos
    Leandro Barcelos
  • 21 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

A recente imposição de tarifas elevadas sobre importações brasileiras sinaliza uma mudança potencialmente perturbadora no cenário do comércio internacional. Embora as motivações declaradas possam envolver preocupações com práticas comerciais desleais, as implicações geopolíticas e econômicas dessa ação merecem uma análise mais profunda. O unilateralismo em matéria de comércio, historicamente, raramente produz os resultados desejados, e este caso parece seguir essa tendência.


Um dos riscos mais imediatos é a escalada retaliatória. O Brasil, como qualquer nação soberana, tem a prerrogativa de responder a tarifas percebidas como injustas. A imposição de contramedidas pode desencadear uma espiral protecionista, prejudicando o fluxo de mercadorias e serviços entre os dois países. Essa guerra comercial, por menor que seja em escala global, pode ter um efeito dissuasor sobre outros parceiros comerciais, criando um clima de incerteza e instabilidade.


Além do impacto econômico direto, a decisão levanta questões sobre a soberania nacional e a interferência em assuntos internos. As tarifas, independentemente de sua justificativa econômica, podem ser interpretadas como uma tentativa de influenciar a política interna de outra nação. Essa percepção pode alimentar o ressentimento e erodir a confiança, dificultando a colaboração em outras áreas de interesse mútuo.


Do ponto de vista estratégico, o movimento pode inadvertidamente fortalecer a influência de potências rivais. Ao alienar um parceiro comercial chave, cria-se uma oportunidade para que outros países, notavelmente China e União Europeia, preencham o vazio. O Brasil, com sua vasta riqueza de recursos naturais e população em crescimento, representa um mercado atraente e um parceiro estratégico para aqueles que buscam expandir sua presença global.


A longo prazo, a imposição de tarifas pode minar a ordem comercial multilateral baseada em regras. O sistema da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi criado para fornecer um fórum para resolver disputas comerciais e promover práticas equitativas. Quando as nações optam por agir unilateralmente, correm o risco de enfraquecer o sistema, levando a um ambiente mais fragmentado e conflituoso.


Em suma, a imposição de tarifas sobre as importações brasileiras representa um jogo arriscado com consequências potencialmente amplas para o comércio internacional. Embora os objetivos declarados possam ser razoáveis, os riscos de retaliação, interferência política e erosão da ordem multilateral baseada em regras superam os benefícios potenciais. Uma abordagem mais colaborativa e baseada em regras seria mais propensa a produzir resultados sustentáveis e mutuamente benéficos.


Leadro Barcelos, Diretor de Estratégia e Política Comercial da 7IBS


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