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Regulamentação da Inteligência Artificial no Brasil: Impulsionando o Comércio Global

  • Foto do escritor: Felipe Eduardo Mello da Cunha Costa
    Felipe Eduardo Mello da Cunha Costa
  • 15 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

O panorama global da regulamentação de inteligência artificial apresenta abordagens distintas entre as principais economias mundiais. A União Europeia lidera com o AI Act, considerado o marco regulatório mais abrangente e rigoroso, estabelecendo classificações de risco e requisitos específicos para diferentes aplicações de IA. Os Estados Unidos adotam uma abordagem mais fragmentada, baseada em diretrizes federais e regulamentações estaduais, enquanto aguardam uma legislação federal unificada. A China, por sua vez, implementa um sistema de controle estrito, mas fragmentado, com regulamentações específicas para diferentes setores e aplicações, priorizando a segurança nacional e o controle governamental sobre a inovação tecnológica.


No Brasil, o debate sobre regulamentação da IA ganhou impulso significativo com a aprovação do marco legal pelo Senado Federal em dezembro de 2024. O Projeto de Lei 2.338/2023, que agora tramita na Câmara dos Deputados, estabelece diretrizes para o desenvolvimento, fomento e uso ético da inteligência artificial, com foco na centralidade da pessoa humana. O texto prevê a criação de uma agência reguladora específica, mecanismos de proteção de dados e transparência nos sistemas de IA, com implementação gradual ao longo de dois anos após a sanção. Esta iniciativa posiciona o Brasil como pioneiro na América Latina em termos de regulamentação estruturada da IA.


As perspectivas para a regulamentação brasileira são promissoras, especialmente considerando o potencial de harmonização com padrões internacionais. A proposta busca equilibrar inovação e proteção, criando um ambiente propício para o desenvolvimento tecnológico sem comprometer direitos fundamentais. A expectativa é que o marco legal seja aprovado no primeiro semestre de 2025, estabelecendo o Brasil como referência regional e criando condições favoráveis para atração de investimentos em tecnologia. A regulamentação também visa fortalecer a confiança internacional nos sistemas brasileiros de IA, facilitando parcerias comerciais e tecnológicas.


Do ponto de vista comercial, a regulamentação da IA no Brasil representa uma oportunidade estratégica para impulsionar o comércio com terceiros países. Sistemas de IA devidamente regulamentados podem revolucionar a gestão de documentos comerciais, automatizar processos alfandegários e reduzir significativamente os tempos de liberação de cargas. Estudos indicam que a implementação de soluções baseadas em IA pode resultar em reduções de até 38,9% nos tempos de desembaraço aduaneiro e melhorias de 57,6% na eficiência logística. Além disso, ferramentas de tradução automática e análise preditiva podem quebrar barreiras linguísticas e culturais, facilitando a entrada de pequenas e médias empresas no mercado internacional.


A inteligência artificial possui potencial transformador para o comércio global, especialmente quando respaldada por marcos regulatórios sólidos. No contexto brasileiro, a regulamentação adequada pode posicionar o país como um hub tecnológico confiável, atraindo investimentos estrangeiros e facilitando parcerias comerciais. A IA pode otimizar cadeias de suprimentos, melhorar a previsibilidade de demanda em mercados internacionais e reduzir custos operacionais, tornando produtos brasileiros mais competitivos globalmente. Em um cenário onde a confiança regulatória é fundamental para o comércio internacional, o Brasil tem a oportunidade de se destacar como um parceiro tecnológico seguro e inovador, aproveitando a IA para expandir suas relações comerciais e fortalecer sua posição na economia digital global.

 
 
 

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